Sonhos

terça-feira, 8 de maio de 2012 23:11 Postado por Arielle Gonzalez
Há mais de 830 dias a história desses dois não se cruzava. Parece muito tempo? Pois bem, caro leitor. Saiba que se você nunca sentiu na pele o tempo se arrastando sem a possibilidade de um reencontro, nunca conseguirá se aproximar do significado 830 dias sem alguém por perto, ainda que sempre presente, de maneira denifitiva. São mais de oito centenas de 24 horas de saudade acumulada que dão a impressão de terem durado mais do que 19 anos.

Não se engane, a distância física não os distanciou de fato. Ele abandonou a carcaça para morar no infinito tempo limitado dela. E a moça, por medo da alternativa, acreditava que ele a acompanhava como uma força invisível e constante. Mesmo sem se verem, caminhavam juntos.

Foi por isso que, naquela noite, a menina tentou encontrar uma maneira de voltar para o mundo onírico. Fechou os olhos. Respirou fundo. Imaginou o lugar que tinha acabado de abandonar. Se a realidade consegue sempre achar o caminho de volta, porque o mesmo não poderia acontecer naquele momento?

Eles estavam lá e estavam bem. Os 830 dias e aquela que simbolizava a mesma quantia + 365 noite mal dormidas. A saudade não passava de uma coisa desses livros cheios de palavras bonitas que a garota gosta de ler. Só isso, uma ideia bela e distante. Intocável.
A vida continuava do mesmo jeitinho. A ignorância a abençoava com o não saber que o mundo é volátil demais. Era um dia normal.

A moça pode ver mais uma vez os sorrisos que tanto faziam falta, sentiu o abraço apertado, ouviu a risada contagiante, recordou apelidos antigos e se sentiu em casa, plena e feliz. O coração se acalmou com o reconhecimento das partes roubadas de maneira tão brusca.

Com o abrir dos olhos veio a percepção de que tudo não passou de um sonho bom e mais do que merecido. Sobrou vontade, mas faltaram palavras para traduzir tal acontecimento.

Quase uma semana depois, ela acordou mais uma vez com o sorriso grampeado no rosto. Reencontrou apenas um deles. Por apenas algumas horas, que estavam longe de ser suficientes, ela o abraçou. A primeira coisa que pensou ao abrir os olhos foi que isso merecia um texto, daqueles caprichados. Pois ja tinha aceitado que sonhos são as novas memórias que o futuro não pode oferecer. Mais uma vez nada aconteceu. As lembranças se perderam antes mesmo de ganharem forma.

Um velho sábio disse uma vez que "Não vale a pena mergulhar nos sonhos e esquecer de viver", mas ela continuava sentindo vontade.

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