Eu prefiro ser essa nostalgia ambulante

quinta-feira, 23 de setembro de 2010 23:37 Postado por Arielle Gonzalez
Sempre penso em apagar isso aqui como se fazendo isso todas as minhas dúvidas/dores/e assim por diante fossem embora no momento que eu deletasse o blog. Mas nem eu sou tão boba assim.

Me perguntaram se atualizar menos isso aqui é bom, como se não dividir meus sentimentos (?) e/ou pensamentos (?), fosse um sinal de que as coisas andam super bem aqui dentro. Mas as coisas não são simples assim.

Não 'abandonei' isso aqui porque estou vivendo mais e ser feliz consome meu tempo. É mais por uma medida desesperada de continuar nessa acolhedora negação que não escrevo aquilo que me atormenta, numa tentativa frustrada de tornar essas coisas menos reais. Ok, talvez eu seja tão boba assim.

Eu tenho o hábito de tentar explicar algumas coisas aqui que simplesmente são melhores quando deixadas de lado. Ou como diria o autor do livro Desventuras em Série, 'é inútil para mim descrever o quão terrível eles se sentiam naquele momento. Se você perdeu alguém importante para você, então você já sabe qual é o sentimento. E se você não perdeu, é impossível que você imagine isso'.

Ou talvez seja aquela velha história de a gente achar que a nossa dor sempre dói mais. Não sei, e realmente não me importo. E isso é algo novo para mim,  tentar não me importar. Porque eu sempre mexo e remexo nas coisas, analiso cada detalhe, exploro cada possibilidade, invento mil motivos/razões/hipoteses, escolho sempre a pior perspectiva e me importo com ela. Para quem não sabe, se importar é uma das coisas que mais consome energia no universo. Eu vivo exausta. E sabe o que é engraçado? Ninguém se importa com isso.

Tem outra coisa que me incomoda. Carrego muitas pessoas comigo. Por todos os lugares. O tempo todo. Tal coisa me lembra não sei quem e não sei o que me lembra fulano de tal. Essa é uma lista que não tem fim. Os gestos, gostos, histórias, músicas, filmes que possuem um significado só meu. Meu e não obrigatóriamente da outra pessoa na equação. E às vezes eu queria não lembrar, porque às vezes lembrar dói.

São histórias que eu sempre conto rindo. Mas como o Frejah canta, 'que você descubra que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero'.

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