Poderia até pensar que foi um sonho ...

terça-feira, 29 de junho de 2010 09:33 Postado por Arielle Gonzalez
Depois de um tempo a gente se acostuma. A gente aprende que saudade só quer dizer uma coisa: descobrir que as pessoas que amamos se espalham por todos os lugares. Não tem jeito. Elas se escondem até nos mais improváveis.
Em algum momento a gente entende que o esforço para se apegar a essas coisas só nos distancia da aceitação. Nada disso tem o poder de trazer ninguém de volta.
O cérebro acaba se perdendo em tantas viagens ao passado e suposições sobre um futuro impossível. Então nos perdemos no tempo. E tudo aquilo que é importante parece que não passa de um sonho ou lembranças de tempos remotos, acontecimentos muitos distantes do presente.
E eu já não sei o que pensar ou sentir. Porque durante um tempo eu tive certeza que tinha aceitado as coisas como são. Eu me acostumei com a dor. Ela não me deixava esquecer como cheguei aqui. Então, se ela não vai embora, o melhor é deixar ficar. Compreender que essa é uma companheira pra vida toda. O problema é que ela voltou a incomodar.
Mais uma vez eu peguei no sono depois de chorar, enquanto eu via um dos meus videos do Jason Mraz. Logo o cara que sempre me fez rir. Aos poucos me lembrei da jornada que me levou até ele. Do dvd de natal (episodio também conhecido como o ataque ao carteiro), todas as vezes que gritei "eu vou no show dele" (e ninguém se importou), a gente perdido em São Paulo, o shopping errado ... é preciso muito amor pra aguentar a minha chatisse. E eu me pergunto se vou encontrar alguém disposto a fazer tanto por mim (egocentrismo mode on).
Talvez seja verdade o que é dito em Greys Anatomy sobre luto: The best we can do is try to let ourselves feel it when it comes. And let it go when we can. The very worst part is that the minute you think you're past it, it starts all over again. And always, every time, it takes your breath away. There are five stages of grief. They look different on all of us, but there are always five. Denial. Anger. Bargaining. Depression. Acceptance.
Dessa vez não foi um quarteto carioca ou a malemolencia de um americano que me ajudou a lidar com essa merda toda. Não foi tão previsível e a verdade é que eu nunca imaginei que fosse encontrar alguém disposto a lutar contra os meus demonios comigo. Com jaqueta de couro ou não. Mesmo que por um breve período. Dessa vez eu tive alguém de verdade ao meu lado para me estender a mão.

Sometimes I ache, baby.

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